Hightlights sobre performance e ações artísticas em espaço público.

Entre os artigos que tenho lido compartilho alguns hightlights (trechos copiados direto do documento – não são minhas palavras) que considero importantes.


\\ Arte, cidade, esfera pública_Açõs efêmeras no espaço público_Anne_Marie_Sampaio

_Sobre Flávio de Carvalho e sua performance >

É possível dizer que Flávio de Carvalho foi a vanguarda das ações que aconteceriam mais adiante, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, principalmente após o movimento NeoConcreto, em 1959. O crítico de arte Ronaldo Brito descreve o neoconcretismo “como divisor de águas na história das artes visuais no Brasil; um ponto de ruptura da arte moderna no país” (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2008). A autonomia da obra de arte é deixada de lado para valorizar a experiência entre objeto e observador, que é convidado a extrapolar a posição de espectador e atuar ativamente – corporalmente – nas situações propostas pelos artistas.

_Sobre Oiticica >

Conexão de Oiticica com o espaço público não existia somente no momento da ativação da obra no espaço. O artista vivia o espaço urbano e trazia dele referências que eram digeridas e devolvidas a esses espaços como propostas de trabalhos relacionais.

É na rua, onde o ‘meio formal’ é mais ativo, que ocorrem as experiências fundamentais do homem. Ou o museu leva à rua suas atividades ‘museológicas’, integrando-se no quotidiano e considerando a cidade (o parque, a praça, os veículos de comunicação de massa) sua extensão, ou será apenas um trambolho (MORAIS, F. 1997, p. 296).

_Sobre outras obras interessantes citadas pela autora >

No mesmo ano, foi realizada a Operação X-Galeria, na qual o grupo lacrou com adesivo a porta de várias galerias de São Paulo e deixou colado, como “rastro”, um papel mimeografado com a frase: “o que está dentro fica, o que está fora se expande”.

Além dos panfletos, os lambe-lambes também são usados pelo Poro como interferência no espaço urbano. Por outras práticas e espacialidades (2010) é uma série de cartazes impressos em serigrafia e fixados em locais públicos. Cada um dos lambes possui uma frase que contesta ou propõe algo sobre a cidade. Algumas das frases da série: “Compartilhe o espaço público”, “Silêncio por favor”, “Espaço reutilizável”, “Plante novas árvores na sua rua”, “Transforme distância em movimento”.

A partir desses encontros entre arte, proposição e cidade, surgem esferas públicas que atentam para o cotidiano da vida “comum” e que pretendem resgatar sentimentos de inclusão e afeto dos indivíduos perante os lugares onde vivem.

Suas ações envolvem performances, ocupações e intervenções plásticas, buscando ressignificar os espaços urbanos, “consolidando uma identidade heterogênea, de abordagem provocadora […], numa crítica do processo civilizatório e da crise de percepção da sociedade do consumo espetacular” (INTERLUX, 2010).

O grupo Sensibilizar (1983-1986) que propunha ações em diversos espaços da cidade transformando transeuntes “comuns” em participantes de seus trabalhos.

O encontro se assemelhou a uma festa, com a celebração da convivência no espaço público e a “degustação” dessa experiência coletiva, criativa e plural. Goura Nataraj, em depoimento para o documentário Em 5 Segundos (2008), afirma que o ponto principal da ação foi “estimular as pessoas a deixarem de ter uma postura passiva, tanto em relação à suas próprias vidas, como em relação à cidade, em relação uns aos outros, em relação à maneira com elas enxergam a rua”

As questões abordadas pelo Interlux em suas ações convergem para um ideal de sociedade, em que as ruas se tornariam locais de convívio, discussão, troca, produção artística e cultural, propondo outros modos de viver, pensar, sentir – distantes dos modelos padronizados pelo capitalismo. Família, instituição, escola – se estende para o ambiente público da convivência, numa apropriação de espaços e partilha de experiências. Em suas propostas, o Interlux constrói microrrelações possíveis de novos modelos de existência na cidade.

Quando digo “espaço público”, não me refiro apenas às praças, ruas, becos etc., mas também às relações subjetivas que nele se estabelecem, algo que remete à psicogeografia situacionista, com suas devidas adaptações (BRITTO; MARIGHELLA, 2009, p. 26).

“Gostaria de chamar atenção para algo fantástico que se tornou comum na sua cidade de uma forma poética? Reúna os amigos e pessoas próximas, que convivem no mesmo ambiente que você, e faça uma fila”. Isso é o que propõe Fila (desde 2005, Figura 3). Essa ação requer a disponibilidade do transeunte e seu interesse em desacelerar o ritmo para contemplar detalhes da paisagem urbana

A proposta foi registrada em vídeo e acompanha um samba que o GIA compôs especialmente para Degrau.

Junto do livro Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos: ações poéticas do Poro (2011) e do documentário Poro: intervenções urbanas e ações efêmeras (2010), a dupla criou maneiras de permanência dos trabalhos, uma vez que sua duração na cidade é tão curta e passageira. Com esses registros é possível fazer as ações chegarem a quem não esteve presente nos momentos em que elas aconteceram.

Utilizar o ambiente da urbe como local e material de trabalho retoma o que os artistas do fim da década de 1960 propuseram nas mostras Apocalipopótese e Do corpo à terra sintonizando questões do universo da arte e do universo da cidade, propondo novas maneiras de interação com o ambiente público, em uma retomada afetiva do espaço coletivo urbano.

\\ Artigo Five elements revisited: a morphological approach of Solà-Morales
Evandro Ziggiatti Monteiro & Daniel Teixeira Turczyn

The type of suburbanization in place in the United States since the mid-twentieth century is the model that has been adopted by virtually all major Brazilian cities. It is a process of peripheral low density occupation which relies mainly on roads and their junctions. It induces the formation of vast areas of generic spaces and landscapes. Locomotion is taken to the intensive use of private vehicle. Recreation and social gatherings do not happen in most public areas, but in semiprivate equipment that concentrates a variety of functions, such as shopping malls, the type of places named by Solà-Morales as containers.

At the same time, Solà-Morales (2002) argues that “movements of all sorts are becoming more and more the very substance of design”, in which networks, meshes, ducts, staccato movement start to be recurring figures of the built environment.

\\Performance do encontro: a experiência de si, do outro e da cidade como busca poética. Por > Renata Teixeira Ferreira da Silva

p.03 performance como linguagem artística híbrida…não representa mas apresenta.
Feix (2014) há nessas práticas notável produção de presença que afeta energicamente o espaço.
p.8
Eleonora Fabião >  ‘Converso sobre qualquer assunto (2008) Centro de São Paulo. Suas performances evidenciam o afeto na arte. (Bruxelas, Berlim e outros lugares) valorizando a convivência com o outro com a cidade e com o mundo. Práticas artísticas com propósito relacional – Bourriaud (2009) — No meio da noite tinha um arco íris….(interessante-criação de objeto-bastão de bambum, lâmpada colorida e gerador)…tencionam as dualidades entre arte e cotidiano. \\ encontro com estranhos no espaço publico.

p.9
Performances são composições atípicas de velocidades e operações afetivas extraordinárias que enfatizam a politicidade corpórea do mundo e das relações. O performer age como um complicador, um desorganizador; cria para si um Corpo sem Órgãos ao recusar a organização dita “natural”, organização esta evidentemente cultural, ideológica, política, econômica (FABIÃO, 2013, p. 6).

Contrariamente a dualidade entre “práxis (ato de transformar a si mesmo) e poiésis (ação ‘necessária’, servil, com vistas a produzir ou transformar a matéria)” (BOURRIAUD, 2009, p. 144) para a performance, assim como o é para Marx que, segundo Bourriaud, considera essas duas instâncias imbricadas, realizando constantemente um movimento de ir e vir entre uma e outra. É nesse sentido que situo este estudo, pois é assim que essas práticas e procedimentos performáticos se encontram, a partir da experiência de si em um processo de atuação e reflexão. O fazer artístico construindo conhecimento e a experiência do corpo como uma possibilidade de aprendizagem.

O objetivo da arte, com os meios do material, é arrancar o percepto das percepções do objeto e dos estados de um sujeito percipiente, arrancar o afecto das afecções, como passagem de um estado a um outro. Extrair um bloco de sensações, um puro ser de sensações (DELEUZE; GUATTARI, 1992, p. 217).

p.10
Essa condição de estranho ou de estranheza pode estar relacionada a um processo permanente de reconhecimento do outro enquanto pertencente ou não, em uma aproximação ou repulsa para com o espaço.

Performer propõe o encontro com o desconhecido, acredito na valorização do instante
presente, em um efeito de presença evidenciado. Bauman (2001) pontua que o encontro entre estranhos não tem passado e, provavelmente, não terá futuro,…

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[ ENJOY THE READING ] by Deni Corsino.

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